crônica

{Crônica} E se seu coração te mandasse uma carta?

26.5.15


Ouço alguém bater na porta:
- Toc Toc.
- Quenhê? – digo
- É o amor da sua vida.- Mentira, nutella não fala.
- Abra logo a porta. Sou seu coração, trouxe-te uma carta.
Fecho a porta assustada, e me deparo com meu coração, trajado de carteiro.
- Leia com atenção. – ele diz, deixando-me sozinha.
Abro a porta, sendo no sofá e abro a carta:
- “Querido proprietário desse coração cansado, sim cansado. Se cheguei ao ponto de te escrever é que a situação está feia. Feia mesmo. Já que você gosta de se identificar com os textos aleatórios, espero que se identifique com a minha súplica. Será a minha última tentativa. Aprenda uma coisa. Ele não vai voltar. Deixe o Santo Antônio em paz, pelo menos por um dia deixe ele em pé, e não de cabeça para baixo, como ele está na sua estante. Santo algum fará milagres se você insiste em derramar lágrimas por alguém que, nem se importa com tanto choro.
Menina, ele não se importou com as inúmeras brigas decorrentes de "sabe-se lá o que", imagina se vai se importar agora. Não ele não vai. Use a linda cabeça que tens, pense com a razão, me dê uma folga! Se você chorou ontem e hoje pela manhã, “tá” na hora de sorrir. O mundo não parou e nem vai parar só porque você resolveu sofrer de amor. E olha, vou te contar uma coisa: você não é a única que sofre. A sua vizinha que foi traída também sofre, mas nem por isso deixou de viver, pelo contrário. Ela engoliu o choro e pronto. Passou. Virou passado. Ficou lá atrás. No ontem. Se for para amar alguém, ame você. Se apaixone por você. Pelo sorriso que tens. Se for para gostar, que goste das manias matinais que só você tem. E se for para esquecer, esqueça o ontem. Pense no hoje, se apaixone hoje. Espero, do fundo desse coração de cicatrizes, que você aprenda a amar.
Dobro a carta, coloco-a em meu peito e sussurro:
- Pode deixar coração, entendi o recado.
Saio de casa, dessa vez, vestida de amor. Sempre de amor.