Alyne Lima

{Texto} Conclusões da madrugada

25.1.17

Uma história de amor onde o “E viveram felizes para sempre não consta no final”, onde eles deixaram o tempo cuidar e o tempo ao invés disso levou. Foi leve e brusco ao mesmo tempo. Talvez, nem fosse uma história de amor. Só amor sem história ou história sem amor, não, isso não, havia amor, eles somente não souberam decifrá-lo, traduzi-lo, exteriora-lo, aproveitá-lo, vive-lo... O que nos custa dizer “Eu te amo”? O que custa? Mesmo que a resposta seja não. Vai passar o resto de sua vida pensando como teria sido se você tivesse aproveitado aquela chance, aquele momento que teve para falar tudo, aquele momento que teve para experimentar o beijo não se importando com o redor, aquele momento de dizer que todos os seus pensamentos eram para ela, que todos os seus escritos, seus sonhos, suas ações. Quantas oportunidades tiveram? Não, não culpe o tempo, ele não levou, ele trouxe, ele jogou na sua cara a oportunidade e você quis algo pronto, algo que você não teria que modelar, que não precisasse dar nem um pouquinho de si, que não precisasse ao menos dizer ou fazer algo que te gastasse, arrancar aquela casquinha dura do peito que sabe toda a verdade, mas não tem coragem, não admite, não tenta...

Quem dera pudéssemos também pedir coragem ao magnifico Mágico de OZ, quem dera pudéssemos espiar em outra dimensão como teria sido se tivéssemos dito tudo aquilo, em todas aquelas oportunidades, reforçado o sentimento, se humilhado um pouquinho, o que custa? Porque temos essa curiosidade? Queríamos saber se estávamos na melhor, na pior, na mesma? Não que estivesse ruim agora, não que se arrependa do agora, mas a mente coça. Como teria sido? Talvez, ele viveu feliz, com algumas oscilações, pois, não estamos de fato em um conto de fadas, então sim, ele pensaria nela, pensaria se ela se lembrava dele, pensaria que esses pensamentos são indevidos, pensaria em parar de pensar nisso, mas acabava pensando mais, pensando como teria sido.

Ele tinha tanto medo, pensava que tudo em seu tempo iria se acertar, mas se não acertasse, ficaria apenas no passado, como algo usado para inspiração para algumas canções e playslists idiotas. Fazia de acasos casos de pura coincidência, sorria e guardava na memória cada detalhe das longas mensagens trocadas na madrugada. Mas, acima de tudo ele achava que quando soasse o gongo, quando da ampulheta caísse o último grão de areia, cada um seguiria seu caminho (verdade) e todos os desejos reprimidos seriam removidos como uma lembrança boa, mas distante (nem tanto). Às vezes, algumas músicas ou ocasiões fazem com que tudo volte a sua mente como um bumerangue arremessado há tempos e lhe acerta em cheio, o estonteia e faz com que guarde ainda mais, reprima mais... “ Tente esquecer idiota, já faz tanto tempo”, “ Eu tento...” O coração sussurra de volta e tenta manter o ritmo, a calma e o foco.

Ele sabe que cuidou e cuidou bem, cuidou tanto e entregou nos braços de outros sem pelejar, sem lutar... Viu sua rosa tão bem regada passar para outras mãos que não fariam o mesmo, ele sabia, sempre soube, mas não pôde. O gongo já tinha soado e seu tempo acabado, seria lutar em vão, causar problemas ainda maiores, seria lutar por algo que não era mais seu e que nunca foi de verdade, a não ser na sua mente oca e cheia ao mesmo tempo, de sonhos e delírios de jovem que ainda não caiu na real.

Talvez seja isso mesmo, quase todos tenham que sofrer por um amor ao menos uma vez na vida, mesmo que um amor como diz... Platônico? Um amor que de tão platônico cause a falsa impressão de que é real, de que faz parte da gente e que quando você o “abandona” faz falta e machuca igualmente. Faz parte amar sozinho, faz parte sofrer, mas é essencial seguir em frente. Amar é ceder, ele cedeu as asas ao anjo e ele voou para onde achou melhor as abrigar. Talvez um dia queira voar de volta, talvez seja tarde de mais, talvez já seja tarde de mais, quando é tarde mais? Poxa, rosa, porque não fincou suas raízes por aqui, porque simplesmente quis ter suas pétalas espalhadas, eu ajuntaria, em outros tempos talvez, eu sempre fui tão confuso quando estávamos pertos, com você longe tudo se mistura mais, se complica, então, é isso? Fim? Fim ao que nem teve de fato um começo, fim aos pensamentos... Deixe-me seguir estou bem agora, estou bem aqui, escuto tuas asas baterem tão distantes, como canções de ninar, anunciando um final feliz, o nosso final feliz, para sempre separados.

Então sim, existe um final feliz. A felicidade é a aceitação, é fazer se feliz com o que passou com o que se passa e com o que está por vim, a felicidade plena não é vinda de coisas materiais e sim, do espÍrito. Sendo assim: E viveram felizes para sempre, eternamente separados (ou não). A questão é que coração não é gaiola, porque se fosse haveria muitos amores sufocados como passarinhos sem canto. O amor é livre, amar é dar asas, se voar não era seu, se ficar cuide, faça do coração um ninho e se aninhe também, como uma troca, como o verdadeiro amor.

Tell them all I know now
Shout it from the roof tops
Write it on the sky line
All we had is gone now
Tell them I was happy
And my heart is broken
All my scars are open
Tell them what I hoped would be
Impossible, impossible

Impossible, impossible
Impossible - James Arthur

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Laís Happel

{Texto} Ele é meu trevo de quatro folhas

11.12.16

Fonte: We Heart It
Você pode ler ouvindo No Regrets - Magic!


Queria que ele soubesse o que sinto enquanto o vejo deitado na minha cama, no finalzinho de domingo, minutos antes de dizer "ei, vou pra casa". Dá vontade de grudar ele na cama, abraçar e dizer "fica aqui hoje, esse tempo contigo não suficiente pra matar a saudade que sinto a semana toda" ou "a segunda-feira começaria de um jeito diferente se ao acordar, te visse dormindo ao meu lado".

Poderia dizer também que enquanto a moldura dele se funde em meu colchão, um nó na garganta surge e o medo de perder se faz presente, mesmo sabendo eu, que isso é só mais uma das minhas paranoias, aquelas que ele faz questão de excluir toda vez que me fala "obrigado por ter entrado na minha vida" e no embalo eu respondo "cê sabe, não vou sair dela".

Ele é trevo de quatro folhas. É a sorte que tive em encontrar um amor tranquilo e que hoje, é a sorte mais linda do mundo. Ele é aquela certeza que amar é bom demais e que corações quebrados podem se juntar e bater novamente. Ele é abraço casa que em questão de segundos se torna lar. É aquela musica que gruda na cabeça e não sai mais. É beijo na chuva e pés afundados na areia da praia. Ele é música para os ouvidos e ritmo acelerado para meu coração. É nas mãos dele que meus dedos adoram entrelaçar.

Ele entende as minhas paranoias e faz delas histórias para serem contadas na madrugada, quando a insônia bate e quando o que mais quero, é ouvir a sua voz enquanto chove (lá fora). Ele é a pessoa que entende meus medos e que compreende que muitas vezes, os monstros dos meus pesadelos são reais. Ele é abrigo quando meu mundo desmorona sem aviso prévio.

Ele é a gargalhada gostosa que solto quando decide me fazer cocegas e é dele as melhores teorias sobre as séries que assistimos. É dele que recebo os melhores elogios e é sobre ele que meus dedos mais gostam de escrever. É na voz dele que encontro paz e é no riso dele que encontro o meu.

Mesmo sem saber ele preenche o vazio que muitas vezes aparece e eu não conto. Ele sempre me enche muito dele e quando percebo, está enchendo um pouco mais de mim em mim mesma. Ele faz falta mesmo estando do meu lado um minuto depois de chegar. E sabe, eu acho que é por isso que a gente dá certo. A gente sente falta antes mesmo de partir.